Acompanhe esse texto utilizando a Bíblia OnLine para ler as referências bíblicas.
O cristianismo sempre possuiu uma marca: a diferenciação evidente entre bem e mal, certo e errado, benção e maldição, personificadas através de duas estruturas: Deus e seus anjos como o bem e satanás e seus demônios como o mal; um reino dividido meio-a-meio, com cada parte tendo domínio sobre seus seguidores. Esse pensamento facilita bastante o pensamento e a filosofia cristã, porém nem sempre é o modo correto de encarar as coisas. Seria o diabo um mito, já que o Antigo Testamento mal cita ele? Seria uma invenção do homem para aliviar a tensão de pensar num Deus que pune nossos erros? Ou um meio de escape para culparmos alguém por esses mesmos erros? Seria o diabo um assistente direto de Deus, sob Suas ordens? Ou seria ele mesmo um príncipe das trevas, alguém com poder e petulância o suficiente para confrontar o próprio Deus frente a frente?
Ao contrário do que muitos pensam, o diabo é citado por diversas vezes no Antigo Testamento. Como o Espírito Santo e, consequentemente, a revelação do espiritual, era na época limitada para pessoas específicas, o diabo foi realmente muito pouco citado. E, em todas as citações, vemos uma extrema submissão do agir do diabo aos propósitos de Deus.
Em primeiro lugar, o povo hebreu não pensava em demônios como nós pensamos. Para eles, demônios nada mais eram que espíritos avulsos enviados por Deus para uma certa punição. Quem abençoava ou amaldiçoava era Deus e ponto final; dEle era a justiça e a condenação. Não existia ação de demônios tentando contra Deus; para eles era inconcebível a idéia de um ser pensar em se opor ao Senhor Todo Poderoso. Vemos isso claramente em IS 45:6,7:
“Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; Eu sou o Senhor e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas.”
O que você pensa sobre esse conceito?
Então, no Antigo Testamento, temos o conceito de demônios como espíritos específicos extremamente obedientes à vontade de Deus. Agiam somente sob Sua permissão, somente sob o Seu mando. Vamos citar alguns casos bem conhecidos da ação desses espíritos, prestando atenção que era sempre sob a ordem de Deus:
- (Is 13:21 / 34:14) Isaías cita um ser, o sátiro, do hebreu setrim (cabeludo, bode). Em Levíticos 17:7 essa palavra é utilizada significando “demônio”. Esse demônio em Isaías é citado significando uma maldição local, um demônio territorial, um sinal de vergonha da terra, primeiro contra o sítio da Babilônia, segundo como uma ameaça a Israel.
Vale lembrar que, por causa desse demônio citado em Isaías, os árabes evitam até hoje os locais dessas ruínas.
Observemos que a ação dos sátiros em amaldiçoar uma localidade é limitada à ordem do Senhor; clara evidência da vassalagem dos sátiros em relação a Deus.
- (1Sm 16:23) Samuel cita um espírito que era enviado por Deus para atormentar Saul e que se retirava dele quando Davi dedilhava sua harpa.
- (Ex 12:23) Na história da saída do povo hebreu do Egito, a última praga tem um nome: O Destruidor. Ele retira vidas humanas, agindo como uma peste instantânea. Ele é citado também 2Sm 24:15,16, dessa vez como Anjo Destruidor. Um espírito que age como punidor e destruidor, agente direto da ordem de Deus. Chamá-lo de anjo ou demônio não muda a sua função; aos olhos dos homens ele levava maldição, destruição e morte, a mando do Senhor.
Muito poderoso, a ação dele é possivelmente vista em 2Re 19:35, matando 185.000 assírios numa só noite!
- (2Cr 18:18-22) Um espírito de engano se apresenta diante do Senhor para ir e enganar o rei Josafá, agindo como mentira através das bocas de seus profetas. Deus permite a ação desse demônio mentiroso e engana Josafá. Uma cena, no mínimo, intrigante: Deus pergunta quem se proporia a enganar Josafá. Esse espírito enganador, que estava na presença de Deus se propõe e recebe autorização para enganar os profetas. Ou seja, o demônio da mentira estava na presença de Deus a espera de uma ordem.
Ps. Não levei em consideração nenhuma mitologia hebraica (como Azazel), nenhuma escritura rabínica-judaica, nem Jó, por considerar a participação do diabo um acréscimo ao livro original, feito por Esdras pós-exílio. E você, o que pensa sobre a participação do diabo em Jó?
Verificamos hoje que os hebreus consideravam a existência dos demônios e os tratavam como instrumentos da vontade de Deus como punição e maldição aos homens; eles eram cruéis e poderosos, mas também eram nulos perante a vontade de Deus. Muito diferente de como lidamos com a figura do diabo atualmente, o culpando por todos e quaisquer problemas que tenhamos. Ao invés disso, deveríamos ponderar sobre quais atitudes nossas estão propiciando as ações do diabo, o que Deus quer nos ensinar através dele, e que precisamos consertar para Deus parar as ações do diabo. E você, que opinião possui sobre a ação do diabo na vida das pessoas? Comentem!
No próximo capítulo dessa série, discutiremos sobre o surgimento da figura do diabo; ele desafiou a Deus? Caiu do céu com um terço dos anjos? Era o anjo mais bonito e maestro do coral de anjos?!
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