Adiada a votação da lei contra homofobia
May 17th, 2008 por Rene
A apresentação de dois votos em separado e a pressão exercida por padres, bispos e lideranças evangélicas presentes à reunião forçaram a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) a adiar a votação do parecer da senadora Fátima Cleide (PT-RO) favorável a projeto que tipifica o crime de discriminação e preconceito contra os homossexuais. O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados.
Leia a notícia completa
Lendo bem o projeto de lei PLC 122/06 que penaliza atitudes de preconceito contra os homossexuais, vemos que ela é de difícil bom termo. Se torna inconstitucional no que tange à livre expressão de crença e tem ferido o próprio conceito atual de preconceito no que se refere a preconceito por religião.
Desaprovo, com todo o vigor, qualquer tipo de constrangimento ou desrespeito contra o homossexual; cada um tem todo o direito de tomar suas próprias decisões, seguir com sua própria vida e arcar com seus próprios lucros e prejuízos. E, infelizmente, tem muito evangélico radical que nos envergonha com atitudes preconceituosas. Mas tentar amordaçar toda uma população para tentar ser aceito é, no mínimo, ditatorial, digno do fascismo de Mussolini.
Por falar nisso, o Papo de Teólogo é bastante comentado no Orkut. Mas teve um fórum que me chamou a atenção. Clique aqui e veja como o povo lida com esse tema.
Enquanto as pessoas batem cabeça com sua volatilidade modista, nós permanecemos de olhos abertos.
Postado em Saturday, May 17th, 2008 at 11:09 am e salvo na categoria Notícias. Você pode obter quaisquer respostas do post através de RSS 2.0 RSS. Você pode deixar um comentário, ou rastreá-lo a partir do seu site.

June 30th, 2008 em 3:48 pm
Em relação à movimentação que temos presenciado na mídia (inclusive na agência de notícias do Senado Federal) em relação à verdadeira “cruzada” que se promove contra a aprovação do Projeto de Lei que criminaliza a homofobia, temos algumas ponderações a fazer.
Inicialmente nos parece “estranha” esta cruzada dos evangélicos, não contra uma lei como querem fazer parecer, mas contra 10% da população mundial (sim, pois a ciência já demonstrou que esta é a porcentagem de indivíduos com orientação homossexual). Na realidade, muitos não deveriam nem se auto-denominar “evangélicos” pois o termo “Evangelho” se refere ao novo testamento e Jesus, Ele mesmo, jamais pregou a intolerância ou o preconceito, pelo contrário, vivia entre prostitutas, cobradores de impostos e mendigos e, ao que consta, não deixou que apedrejassem a adúltera, conforme previa a lei judaica. Disse Ele, que atirasse a primeira pedra aquele que não tivesse pecado. Repito a frase de Jesus, o mestre dos mestres, aos nossos pastores, nem sempre modelos de virtude ou de moral ilibada.
Mesmo Paulo, e sua famosa carta aos romanos, não é Jesus, embora afirme falar em nome Dele.
Além disso, se os “evangélicos” querem aludir ao Levítico e à Lei Judaica, na condenação à homossexualidade, então, porque não seguem na íntegra a tradição judaica, ou seja: santificam o sábado, deixam de comer carne de porco e circuncisam os seus filhos homens ao oitavo dia…Tudo isto está escrito na Bíblia!
Temos a ponderar também que em nosso país existe liberdade religiosa: cada um tem o direito de professar a fé na qual melhor se encontrar. Mais do que isto, nos é garantido pela Constituição Federal, em vigor desde 1988, que o cidadão tem o direito de livre expressão, inclusive o direito de expressar livremente a sua sexualidade. A mesma legislação que garante aos fiéis o direito de serem evangélicos (até 1889 o catolicismo era a religião oficial do Estado brasileiro) também garante os direitos dos homossexuais, que eles discriminam. Mais do que isto, garante que qualquer pessoa que se sinta diretamente agredida por comentários, inadequados e pouco éticos, recorra a um processo judicial: isto é um exercício de cidadania. Devemos lembrar que sempre que houve “caça às bruxas” e que os “hereges” queimaram nas fogueiras da inquisição também foi “em nome de Deus”. Resta saber de qual Deus: Iaveh dos Judeus, Krshna, Jeová, Javé, Alah, Deus Pai Todo Poderoso… Todos permitidos no Brasil, isto sem necessitar citar nominalmente todas as entidades que compõe o panteão das religiões afro-brasileiras, igualmente permitidas.
Também devemos lembrar que a Bíblia não é o único livro santo; os judeus tem o Torah, os muçulmanos o Corão, os indianos o Badhara Gita e assim por diante. Mesmo em relação à Bíblia, todas as igrejas cristãs afirmam estar fundamentadas nos textos bíblicos, mas, havemos de admitir, existe grande diversidade de opiniões, de posturas e de práticas entre elas. Há lugar para todos nós neste planeta: para todas as cores de pele, todas as crenças, todas as línguas e todas as opções sexuais. Todos somos filhos de Deus, independentemente do nome que damos a Ele e, inclusive, gostaria de saber onde está a procuração assinada pelo Todo Poderoso, que autoriza apenas alguns a falar em nome Dele.
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Luiz Carlos Cappellano