Seria Jesus o arcanjo Miguel?
outubro 2nd, 2008 by René Vasconcelos
O leitor Wanderson, do Rio de Janeiro, me mandou por email uma questão curiosa que, apesar de não ser muito discutida no meio teológico, nos traz uma visão ampla de como é possível distorcer a Palavra de Deus com o uso da própria Bíblia e muita, mas muita criatividade.
Em seu email, o leitor questionou acerca da afirmação de que Jesus seria o arcanjo Miguel. Essa afirmação, conforme ele mesmo apontou, tem seu principal apoio nas seguintes afirmações:
- Quando Miguel se levantar, viverão os que estiverem com o nome no livro da vida (Dn 12:1). Na volta de Cristo ocorrerá o mesmo (Ap 3:5).
- Miguel é chamado de “o Grande Príncipe” que está “a favor dos filhos do teu povo” (Dn 12:1). Deus elevou Jesus “a Príncipe e Salvador“, para estar a favor dos Seus filhos, dando “o arrependimento e a remissão dos pecados“. (At 5:31)
- “Miguel, vosso Príncipe“, “se levanta a favor dos filhos do teu povo” (Dn 10:21; 12:1). Cristo, “o príncipe da salvação deles” (Hb. 2:10), “o príncipe do teu povo” (At. 23:5).
- Miguel recebe adoração (Js. 5:14). Adoração só a Deus pertence (Mt. 4:10).
- E em 1Ts. 4:16 se lê: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, com a voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro“.
Antes de continuarmos, vale lembrar que comparar Jesus com o arcanjo Miguel é uma visão não-trinitariana, ou seja, que não aceita de forma integral a Trindade do Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Como sigo uma teologia trinitariana e, para mim, Jesus é Deus e o resto é criatura, vou dar o meu ponto de vista sobre o assunto. Vamos lá!
A problemática do nome
Já de início encontramos um problema; o nome Miguel, numa tradução literal, significa “quem é semelhante a Deus“. Bom, em Sl 35:10 e 89:8 temos a indagação de quem é como o Senhor? Se não existe ninguém igual ao Senhor então encontramos um problemão: como é que pode Miguel, uma criatura, ter em seu nome que é semelhante a Deus? Jesus não é semelhante ao Senhor, Ele É o Senhor (Jo 1:1).
Segundo o Talmude, livro de tradições hebraicas, o nome Miguel é na verdade uma questão. Seria na verdade “quem é semelhante a Deus?” o que resolveria bem essa problemática.
A tradução do nome Miguel como uma afirmação é algo recente, proveniente de traduções abertas do hebraico. Se os próprios hebreus traduzem o nome Miguel como uma indagação, quem somos nós para contrariar?
Miguel é príncipe?
Antes devemos lembrar que Miguel é citado 5 vezes na Bíblia; 3 vezes em Daniel (10:13, 10:21 e 12:1), 1 vez em Judas (1:9 e é a única vez que cita o cargo dele de “arcanjo”) e 1 vez em Apocalipse (12:7).
No livro de Daniel, Miguel é tratado como “príncipe”. Mas devemos notar que em Dn 10:13 ele é declarado como UM DOS príncipes. Ou seja, a palavra príncipe sugere apenas um status hierárquico “angelical” e responsável direto pelos hebreus. Nos livros de Judas e Apocalipse ele é retratado como um anjo de combate, lutando diretamente contra o diabo. Vale lembrar que a cena do anjo Miguel combatendo o diabo pelo corpo de Moisés é uma tradição retirada do livro apócrifo “Ascensão de Moisés”. Fica a pergunta… porque uma passagem na Bíblia referente a um livro que ficou justamente de fora dela por ser considerado apócrifo?
Tradições judaicas
Segundo o Middrash, outro livro de tradições judaico, Miguel é o advogado de Israel. Ele luta diretamente contra Samael, o demônio acusador de Israel. Numa dessas lutas, na queda do demônio, Samael segurou as asas de Miguel tentando levá-lo na queda, mas Deus o livrou.
Ainda segundo as tradições e lendas judaicas, Miguel quem guardava o Éden para Adão não entrar e o ensinou a plantar, foi o protetor direto dos patriarcas, quem salvou Isaque do sacrifício, o tutor de Moisés e quem escondeu o seu corpo, foi quem destruiu o exército de Senaqueribe e também é ele que abre ou fecha os portões dos céus para os justos.
Enfim, na tradição judaica tem muita lenda sobre ele. Fiquemos somente com as traduções deles.
A teologia de Paulo
Agora vamos entender porque Paulo chama Jesus de Príncipe. Estudando a teologia paulina, vemos que ele, diferente de João e Pedro, entende que Jesus sempre foi homem e recebeu o status de divino após ser ressuscitado por Deus. Leiam At 5:30,31:
O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro.
Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
A palavra “príncipe” vem de “archêgon” que significa também “autor”. Paulo, em Atos, chama Jesus de príncipe repetidas vezes, mas não no sentido hierárquico, mas no sentido de autor. Para ele, em sua cabeça tradicionalmente judia, Jesus era o mais próximo que se podia chegar de Deus, mas ainda estava um degrau abaixo de Deus, tendo sido tornado Príncipe após Sua ressurreição.
Anjos sendo adorados?
Na Bíblia existem passagens em que os anjos não podem receber adoração (Ap 22:8,9) e passagens em que anjos recebem prontamente adoração (Js 5:13,14). Segundo uma vertente cristã, bastante utilizada no meio assembleiano, um anjo que recebe adoração é uma citação à Jesus. Ou seja, o “anjo” que aparece para Josué na verdade seria Jesus. Um anjo comum não poderia aceitar adoração por ser uma criatura, mas Jesus que é Deus e vive eternamente, estava presente em muitas passagens bíblicas “disfarçado” de anjo e recebeu prontamente adoração.
Quando digo disfarçado, falo porque no Antigo Testamento não dava para se referir a Jesus como Deus. Então, como toda a personificação de divindade recebia o nome de “anjo”, Jesus poderia ter muito bem aparecido “disfarçado” de anjo. Essa visão, apesar de ser meramente especulativa, recebe o meu carinho por diferenciar bem anjos adorados e não adorados sem muitas viagens teológicas ou enfeites.
Tessalonicences?
Quanto à passagem em I Tessalonicences, segundo a tradução ARA, minha preferida, o texto 4:16 fica dessa forma:
Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;
Portanto, são três sinais diferentes: A ordem do Senhor, a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta. Nada de Senhor com voz de anjo.
Conclusão
Portanto, não dá para pensar em Jesus como o arcanjo Miguel; uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. A Bíblia é clara se você tiver intenções claras ao lê-la. Deixemos de lado as fantasias, estudemos e oremos para que não sejamos enganados com doutrinas falsas e tendenciosas que rondam o próprio meio evangélico.
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Observando a Bíblia, me lembrei de uma passagem que joga luz a esse assunto. Todo mundo conhece a passagem em que Paulo expulsa o espírito de uma adivinha, na cidade de Filipos na Macedônia, o que enfurece os que lucravam com a menina e causa o açoite e a prisão de Paulo e Silas. No meio da noite tem um terremoto e lá eles conseguem evangelizar os guardas. Mesmo após o terremoto abrir todas as cadeias da prisão, Paulo permaneceu lá aguardando sua carta de soltura, que chegou na manhã seguinte. Acompanhemos o texto a partir daí:
Categoricamente podemos dizer que não é errado você buscar melhorar a sua aparência; o grande problema é a hipocrisia. Primeiro ele diz que é pecado ser vaidoso e que isso tira a espiritualidade dos jovens. Meses depois aparece totalmente transformado, com lentes claras e cabelo alisado; onde está a coerência da pregação? Essa é a grande hipocrisia; você acaba pregando uma coisa e vivendo outra. Vamos ver o que a Bíblia nos fala sobre vestes e vaidade:
E dar atributos divinos a um homem é prática comum no meio evangélico. Hoje em dia se idolatra bispo X porque ele cura com o suor. Ou apóstolo Y porque ele promove curas online através da internet. Até mesmo o abençoado Z que promove avivamentos relâmpagos porque ele acha que tem “crédito no céu”. São inúmeros os “profetas” e “ungidos” venerados como verdadeiros santos por serem considerados um atalho para Deus. Esses ídolos são considerados intocáveis, inabaláveis e suas palavras são indiscutíveis para quem os idolatra. E muitos, inúmeros evangélicos idolatram ídolos de carne e osso e se esquecem de seguir o único que é inabalável e incorruptível: Deus.
A partir do momento que a pessoa começa a seguir um ídolo, ela passa a se espelhar nele e a seguir o que ele diz. Com o tempo, a Bíblia vai ficando de lado porque não precisa dela, afinal o ídolo de carne já a “explica”
Outro ponto é: somos nós quem criamos os ídolos. Nós quem atribuimos a eles as características de semi-deuses que desejamos. Portanto, esses ídolos de carne irão falar o que nós queremos escutar; afinal nós somos seus criadores. Eles farão de tudo para arrebanhar mais idólatras e isso, dentro de uma igreja, é um câncer. Os idólatras evangélicos acreditarão cada vez mais nas “verdades” que todos querem ouvir que os ídolos pregam e a verdade de Jesus Cristo, que é amarga, literalmente espinhosa e difícil de ser praticada, vai ficando absoleta, esquecida.
Hoje vamos conversar sobre a prática de uma das mais conhecidas tradições da igreja cristã: a santa ceia ou a eucaristia. Você já sentiu dúvidas sobre o texto de I Coríntios 11, a base bíblica para essa tradição? Esse ritual era o que Jesus realmente queria para lembrar de sua morte? Vamos conhecer o texto de I Coríntios 11 versículo por versículo, vamos lembrar das palavras de Jesus em sua última ceia, vamos corrigir erros históricos da nossa visão e, principalmente, vamos conhecer o verdadeiro significado da ceia do Senhor. Separe um tempo para o estudo, pegue sua Bíblia e vamos conhecer melhor a nossa fé!
Para os leitores deste blog, não é novidade o meu gosto pelo canal The History Channel. Não apenas gosto, mas também recomendo a todo aquele que deseja conhecer um pouco mais sobre história. E ontem, durante a tarde, passou por lá um documentário que me deixou boquiaberto: O Êxodo Decifrado.
Uma dessas tradições mais conhecidas e difundidas entre os cristãos se refere a criação do mal. Você já parou para pensar quais as bases bíblicas utilizadas para o desenvolvimento dessa história? O que levou os teólogos da época - e até os dias atuais - a acreditar, apoiar e ensinar essa tradição? Nesse post vamos discutir e conversar sobre a revolta de “Lúcifer”, para que todos possam refletir um pouco mais sobre sua própria fé. O post está enorme, mas vale a pena dar uma lida.
Diferente, né?
Descartes, francês de família nobre, estudou no colégio jesuíta La Flèche. Já no colégio ele se sentia incomodado; muitas hipóteses, muitos poréns e poucas certezas. A única certeza ensinada no colégio era a matemática; 2+2=4 sem sombra de dúvidas. Todo o restante era um monte de achismos, filosofias e teorias. Essa inquietação levou Descartes a desejar criar um método que unisse a verdade da matemática com as incertezas da vida. Ele criou grandes teorias matemáticas e geométricas, dentre eles o conhecidíssimo “plano cartesiano”. Se tornou conhecido entre reis e rainhas, generais e pensadores.
Porém, na continuação de sua obra, ele afirma - e isso é uma jogada de mestre - que não é possível uma pessoa imperfeita pensar em algo que seja perfeito ou infinito, ou seja, Deus, sem que um ser Perfeito tenha inspirado esse pensamento. Você, ser humano imperfeito, não consegue produzir algo que funcione perfeitamente bem sem a presença de um ser Perfeito a te inspirar. Você, ser humano limitado, não poderia imaginar ou especular que existe um Deus sem a presença desse Deus a te inspirar esse pensamento. Brilhante!