A literalidade da Bíblia
agosto 11th, 2008 by René Vasconcelos
Estive nesse sábado em um encontro de jovens da Igreja Betesda onde rolou uma palestra sobre as linguagens da Bíblia, dada pelo sempre brilhante pastor Eliel.
Na palestra Eliel expôs as dificuldades de interpretação da Bíblia geradas pela busca de uma literalidade que a Bíblia não possui, ou seja, nem tudo o que está escrito deve ser levado para o ponto literal da interpretação. Existem diversos pontos em que se baseia essa linha de pensamento; a diferença entre a data em que ocorreram os fatos descritos na Bíblia e a data em que foram registrados, a intenção de mostrar um Deus e não de contar uma história, o modo de expressão hebraico, diferente do nosso, enfim… vários fatores que mostram que existe a diferença do que está escrito para o que se quer dizer.
Esse é um modo de lidar com a Bíblia torce o nariz de inúmeros líderes religios, teólogos mais conservadores e cristãos em geral; afinal, se a Bíblia não é literal, se é apenas algo escrito por homens, então não existe a inspiração divina? Segundo Eliel, a inspiração divina foi na preservação de textos tão antigos até os dias atuais.
Bom, dizer que a Bíblia não é literal nos liberta das amarras de pensamentos tacanhas e nos dá espaço para viver uma fé mais prática e menos teórica. Porém nos traz também inúmeros problemas; dizer que a Bíblia não é literal dá margem para inúmeras linhas de pensamento não-cristãos que deturpam o evangelho, assim como vemos nos dias atuais.
Portanto é necessário muito cuidado ao se pensar na literalidade ou não da Bíblia. Por um lado temos uma idéia mais prática de cristianismo, mas por outro temos a abertura para diversas correntes filosóficas contrárias à própria Bíblia. É necessário um meio termo.
Eu, pessoalmente, acredito que a Bíblia NÃO É a palavra de Deus, mas sim CONTÉM a Palavra de Deus. Existem erros humanos nela porque foram realmente homens a escrever, mas o teor, a lição, a imagem de Deus que a Bíblia nos mostra é sim inspirada pelo Divino em sua integralidade. Pretendo, já a algum tempo, discutir isso mais a fundo em breve. Fique de olho.
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“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.”
E dar atributos divinos a um homem é prática comum no meio evangélico. Hoje em dia se idolatra bispo X porque ele cura com o suor. Ou apóstolo Y porque ele promove curas online através da internet. Até mesmo o abençoado Z que promove avivamentos relâmpagos porque ele acha que tem “crédito no céu”. São inúmeros os “profetas” e “ungidos” venerados como verdadeiros santos por serem considerados um atalho para Deus. Esses ídolos são considerados intocáveis, inabaláveis e suas palavras são indiscutíveis para quem os idolatra. E muitos, inúmeros evangélicos idolatram ídolos de carne e osso e se esquecem de seguir o único que é inabalável e incorruptível: Deus.
A partir do momento que a pessoa começa a seguir um ídolo, ela passa a se espelhar nele e a seguir o que ele diz. Com o tempo, a Bíblia vai ficando de lado porque não precisa dela, afinal o ídolo de carne já a “explica”
Outro ponto é: somos nós quem criamos os ídolos. Nós quem atribuimos a eles as características de semi-deuses que desejamos. Portanto, esses ídolos de carne irão falar o que nós queremos escutar; afinal nós somos seus criadores. Eles farão de tudo para arrebanhar mais idólatras e isso, dentro de uma igreja, é um câncer. Os idólatras evangélicos acreditarão cada vez mais nas “verdades” que todos querem ouvir que os ídolos pregam e a verdade de Jesus Cristo, que é amarga, literalmente espinhosa e difícil de ser praticada, vai ficando absoleta, esquecida.
Eu me alegrei muito quando comecei a acompanhar a série americana 7th Heaven, que, assim como quase toda a série americana, aborda os dramas de uma família típica, com um diferencial; o pai é um reverendo de uma igreja cristã e a série foca em como ele se desdobra para criar seus muitos filhos da maneira correta, para apoiar seu rebanho, para cuidar de seus próprios problemas e tudo isso sem deixar de dar o exemplo. Tudo isso de maneira leve, sem exageros ou besteiróis religiosos.
Esse fantástico diálogo entre Deus e Moisés nos mostra duas partes: na primeira, Deus promete enviar o Seu anjo para guiar e guardar Israel até a terra prometida. Na segunda parte Moisés, com a ousadia que só alguém convicto de sua fé tem, clama para que vá o próprio Deus a frente do seu povo. Moisés não era santo. Tinha erros, defeitos, um passado promíscuo no Egito e sempre uma desculpa na ponta da língua. Mas uma coisa ele tinha de diferente entre os demais homens de sua época: um coração que ao mesmo tempo temia e adorava a Deus.