Descartes e a evidência de Deus
abril 14th, 2008 por Rene
Falar sobre ciência e a existência de Deus nunca foi algo fácil. A ciência busca encontrar uma forma de explicar o mundo sem utilizar a religião. Já a religião busca defender a sua fé de modo que não venha a ser considerada tolice. Atualmente, a união desses dois “lados da conversa” tem dado frutos muito bons. Mês passado o cientista polonês Michael Keller ganhou um respeitado prêmio por sua teoria, que praticamente originou a “Teologia da Ciência” e que, em sua premissa, afirma que a ciência encontrou a existência de Deus. Para ler mais sobre Keller e sua teoria, clique aqui.
Porém discutir Deus e ciência não é coisa nova. Diversos grandes pensadores da história já publicaram seus pensamentos a respeito da existência - ou não - de Deus. Dentre os mais conhecidos está Einstein, no qual já falamos nesse blog (não leu? clique aqui!). Hoje falaremos a respeito de Rene Descartes e seu interessante pensamento sobre a existência de Deus.
Descartes, francês de família nobre, estudou no colégio jesuíta La Flèche. Já no colégio ele se sentia incomodado; muitas hipóteses, muitos poréns e poucas certezas. A única certeza ensinada no colégio era a matemática; 2+2=4 sem sombra de dúvidas. Todo o restante era um monte de achismos, filosofias e teorias. Essa inquietação levou Descartes a desejar criar um método que unisse a verdade da matemática com as incertezas da vida. Ele criou grandes teorias matemáticas e geométricas, dentre eles o conhecidíssimo “plano cartesiano”. Se tornou conhecido entre reis e rainhas, generais e pensadores.
Em 1637 Descartes publicou três pequenas obras e um famosíssimo prefácio delas: “Discurso sobre o Método” no qual ele afirma vigorosamente que é capaz de provar a existência de Deus. Descartes era católico, não muito praticante, mas tinha suas raízes no colégio jesuíta. E nessa interessantíssima obra, ele faz um círculo que leva a pessoa do questionamento a Deus.
Primeiro ele diz que para existir um rigor matemático sobre as coisas são necessárias diversas regras, dentre elas a evidência. A evidência não admite nenhuma coisa como verdadeira se não a reconhece evidentemente como tal, com provas que saltem aos olhos. À primeira vista, isso parece uma negação de Deus; como alguém pode dizer Deus como verdade se não existem provas concretas de sua existência?
Porém, na continuação de sua obra, ele afirma - e isso é uma jogada de mestre - que não é possível uma pessoa imperfeita pensar em algo que seja perfeito ou infinito, ou seja, Deus, sem que um ser Perfeito tenha inspirado esse pensamento. Você, ser humano imperfeito, não consegue produzir algo que funcione perfeitamente bem sem a presença de um ser Perfeito a te inspirar. Você, ser humano limitado, não poderia imaginar ou especular que existe um Deus sem a presença desse Deus a te inspirar esse pensamento. Brilhante!
Esse pensamento nos leva a um círculo vicioso: a evidência nos leva a Deus que nos garante a evidência. Ou seja, nossos pensamentos, nossos estudos, nos levam a Deus que, por sua vez, nos garante a possibilidade de pensar e estudar sobre Ele. Primeiro, Descartes nos leva a duvidar de tudo o que não seja plausível e, depois, ele nos mostra que é impossível questionar a existência de Deus pois, se você pensa nEle, é porque Ele permite.
Por isso, você evangélico ou não, questione. Questione o que é certo ou errado em suas igrejas. Questione se a sua própria vida está como deveria estar. Questione se os conselhos que você ouve está conforme diz a Bíblia. Questione, questione, questione! Mas nunca de forma a afrontar, mas sempre com o intuito de aprender. Assim, dessa forma, você estará mostrando a evidência da existência de Deus, dita por Descartes: a sua possibilidade de questionar e aprender mais de Deus!
Postado em segunda-feira, abril 14th, 2008 at 7:56 am e salvo na categoria Estudos. Você pode obter quaisquer respostas do post através de RSS 2.0 RSS. Você pode deixar um comentário, ou rastreá-lo a partir do seu site.

abril 14th, 2008 em 3:59 pm
Sou fã de Descartes (veja o link do meu blog) confio no método cartesiano e no inatismo pregado.
Na verdade a idéia é de que a perfeição imbutida em nós é um sentimento inato assim como a é inata a percepção do que Deus é ou fez ou faz.
“Dentre as idéias do meu cogito existe uma inteiramente extraordinária. É a idéia de perfeição, de infinito. Não posso tê-la tirado de mim mesmo, visto que sou finito e imperfeito. Eu, tão imperfeito, que tenho a idéia de Perfeição, só posso tê-la recebido de um Ser perfeito que me ultrapassa e que é o autor do meu SER.” (discurso sobre o método).
abril 14th, 2008 em 5:34 pm
Olá Marco, a paz!
Sim, apenas transliterei a idéia do teórico para o prático básico, a fim de tornar acessível o básico de seu pensamento.
Essa idéia da consciência inata de Deus é tão difundida que faz parte da doutrina, por exemplo, da Assembléia de Deus e diversas outras denominações.
Abraço!
agosto 15th, 2008 em 12:52 pm
como se deu acriação do plano cartesiano ortogona
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