Deus: o fio de esperança
setembro 12th, 2008 por René Vasconcelos
Se me perguntarem se existe uma passagem bíblica na qual eu medite todo o dia, eu responderia sem pestanejar: Lamentações 3. É incrível a carga de emoção humana contida no texto e é o único texto em toda a Bíblia em que o locutor quase chega a desistir de Deus:
Então disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no SENHOR.
Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel.
Minha alma certamente disto se lembra, e se abate dentro de mim.
Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei.
As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.
A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele.
Lm 3:18-24
A algum tempo atrás fui chamado para pregar em especial para uma menina que tinha acabado de perder o pai, estava numa profunda depressão e era muito idólatra. Enfrentei o dilema de ter que pregar sobre um Deus sem rosto, em contradição com as imagens de santos que ela tanto se apegava. Tudo isso sem ficar falando mal das tais imagens, erro curriqueiro de muitos pregadores.
Então… como descrever Deus? Como delinear a Sua presença sem rosto ou forma para uma pessoa tão desiludida com as dificuldades da vida?
Então me veio à cabeça a passagem citada. Jeremias atravessava o exílio dos hebreus, sob o julgo babilônico. Suas mulheres haviam sido prostituídas, seus príncipes cegados com ferro quente e seus filhos feitos de escravos. A dor e a vergonha imperava sobre o povo, visto que receberam tantas e tantas promessas de um Deus que se dizia justo mas que lhes permitiu tamanha aflição. Nem o próprio Jeremias, que tanto havia avisado o povo, antes do exílio, sobre o mal que viria, era capaz de aceitar a severidade daquela punição ao povo hebreu.
E ele chega ao seu limite, como todo o ser humano, a ponto de não conseguir mais crer num Deus benigno. Esse limite é lindamente registrado no versículo 18: “Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no SENHOR”. Quantas vezes nós, mesmo cristãos, já não chegamos a esse limite?
Porém é aí que conseguimos enxergar Deus, mesmo sem rostos ou imagens! Mesmo Jeremias estando em seu limite, desacreditado da bondade divina, ele ainda tem um fio de esperança que não o permite esmurecer por completo. Algo que o faz repensar, tomar fôlego e voltar a acreditar que o futuro não será tão ruim. E esse algo, esse fio de esperança é Deus. Deus é o fôlego que nos mantém de pé, o amparo quando a razão não nos permite enxergar algo bom a frente. Ele é a raiz da fé, o motivo de não sermos consumidos por completo. Delinear Deus dessa forma nos traz uma perspectiva mais pessoal de um ser que é inimaginável. E foi com essa perspectiva que consegui com que aquela menina tivesse uma idéia mais iluminada de Deus, sem a necessidade de rostos ou imagens.
Deus é muitas coisas, isso é um fato. Mas se Ele é para você aquele fio de esperança que te faz permanecer de pé, isso já muita, muita coisa mesmo, para pessoas tão limitadas como nós.
Postado em sexta-feira, setembro 12th, 2008 at 6:31 am e salvo na categoria Reflexões. Você pode obter quaisquer respostas do post através de RSS 2.0 RSS. Você pode deixar um comentário, ou rastreá-lo a partir do seu site.

setembro 12th, 2008 em 1:46 pm
Ótimo texto René. Veleu!!! Gosto de Jó, Eclesiastes e Cia. Detesto esta teologia cristã, na qual o crente é visto como um semi-buda, impassional diante da realidade, quissá do sofimento humano.
Também tenho profundo apreço pelo livro de Lamentações.
Que Deus te abençoe.
setembro 12th, 2008 em 8:15 pm
Muito bom seu artigo. Participando de um encontro regional do CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatas Cristãos) fiquei com a responsabilidade de levar a reflexão durante a abertura da programação da noite. Naquele dia pensava em falar sobre a bondade de Deus, o tema era “Deus é Bom”. Ao passar em frente de uma banca de revista observei a capa da revista veja que mostrava uma mãe com sua filha nos braços, uns oito anos mais ou menos, vítima dos terroristas que invadiram uma escola, se não me falha a memória na Chechenia. Foi muito difícil falar da bondade de Deus, depois de uma cena tão chocante como aquela. Não tenho dúvida da bondade de Deus e aceito sua perfeita soberania, mas reconheço que se não for pela obra do Espírito Santo vão existir momentos que nos perguntamos o porque Deus permitir certas situações.
Em Cristo,
Pastor Neudelon
setembro 13th, 2008 em 11:37 am
Somente quando passamos por situações adversas é que podemos sentir no âmago o que Jeremias e Jó sentiram.
Sou sincera em dizer que Deus nos ensina muito quando estamos passando pela provação. E foi no livro de Jeremias que sempre encontrei o consolo de que precisava, pois ali vemos o Justo Amor de Deus bem evidente…
Lindo texto!
Deus lhe abençoe!
Ana
setembro 13th, 2008 em 2:32 pm
Amado Pastor Renê.
Digo amado porque te AMO em Cristo sem ao menos te conhecer pessoalmente, somentepor ler seus textos, que tanto tem me edificado.
Sou de um Ministério que se chama Minstério ARCA que fica em Itajubá-MG, no sul de Minas divisa com SP. A história do barbeiro ilustra bem essa situação, se as pessoas não vão a Deus e nós não vamos aos que não conhecem Deus,como vão saber se ele existe não é mesmo? E por isso continuam sofrendo. Oro pra que Deus continue abençoando seu ministério e renovando a cada dia os seus dons.
A Paz de Cristo que excede todo entendimento.
setembro 14th, 2008 em 2:27 am
A vós, graça e paz da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo!
Estamos visitando o vosso blog, através da Comunidade Nacional de Blogueiros Cristãos – CNBC…
Aproveite para inserir um de nossos selos da CNBC no seu blog para identificar-lhe como membro. Acesse o endereço http://selos.blogueiroscristaos.com
Deus lhe abençoe e aos seus ricamente…
Fraternalmente.
James, administrador CNBC.
http://www.jesusmaioramor.blogspot.com
setembro 14th, 2008 em 2:56 pm
E esta aqui é uma afirmação sua ao G1, em São Paulo: “Apesar de ser a personificação do Divino, aqui na Terra Jesus era apenas um homem bruto, pobre, tão comum que dependia de muita oração e da ação do Espírito Santo para realizar seus feitos. Seria muito fácil se Ele morresse na cruz tendo a certeza de que era eterno. Mas era homem e, como homem, não tinha uma memória divina”, diz René Vasconcelos, estudante de teologia da Faesp (Faculdade Evangélica de São Paulo) e membro da denominação evangélica Assembléia de Deus.
É você mesmo, René, dizendo que Jesus não sabia se era eterno?
http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL730764-9982,00-PESQUISA+SOBRE+JESUS+HISTORICO+RETRATA+CRISTO+MAIS+HUMANO+MAS+NAO+AMEACA+FE.html
setembro 15th, 2008 em 8:39 am
Sim, sim. Creio na total humanidade de Cristo enquanto aqui na Terra. Ele sabia que era o Messias, mas não possuia memória Divina.
Estou preparando um post sobre isso.
setembro 15th, 2008 em 10:43 am
Sei que a auto-consicência de Cristo não é o tema em apreço no presente post. Mas anseio pelo seu estudo visto que desde as mensagens do Pr Gesiel Gomes (que afirmava que aqui na terra Jesus era tão somente humano, seus milagres, e inclusive a percepção que este tinha a respeito do que ocorria no íntimo das pessoas era ação do Espírito Santo); não ouço nada parecido. Por isso aguardo o post.
Em caso de posssíveis discodâncias quanto as razões apresentadas, não me estranhe. Sou o mesmo Marcelo Medeiros que tem participado deste blog, e estou disponível para o diálogo, ainda que nem sempre a acatar tudo que falam.
Teu blog tem sido um benção, tenho aprendido a me exercitar por meio das postagens. Um abraço. Amei também o blog do Daniel. Manda um abração para ele. Também sou músico!!.
UM ABRAÇO A TODOS E A PAZ!!!!
setembro 17th, 2008 em 3:16 pm
Bom post René!
Mas…
Atualiza o blog!
Estou ansioso para próximos post’s!
Abraços