Misturar religião e política: até onde vale a pena?
setembro 1st, 2008 por René Vasconcelos
Brasil, 2008. Estamos em época de eleições municipais e o país ferve com inúmeras campanhas de candidatos a vereadores e prefeitos. E cada candidato adota para si a tática mais conveniente - e mais funcional - de campanha; alguns apelam para suas obras já realizadas, outros apelam por seu cargo ou ramo de trabalho, e outros - e isso discutiremos agora - apelam para a religião. São inúmeros candidatos que fazem campanha se utilizando seu título pastoral ou se beneficiando da ajuda de grandes ministérios e líderes. Vamos discutir um pouco sobre a validade dessa atitude e estudar a campanha eleitoral da cidade de São Paulo.
Quando o assunto é religião e política a primeira argumentação que se ouve é: “é necessário que os evangélicos tenham uma bancada no Congresso e nas câmaras que os representem”. Mas, uma vez eleitos, esses “políticos evangélicos” representam o que? Representam os interesses de quem? Pelo o que temos visto, esses políticos - em sua grande maioria - focam defender os interesses dos ministérios que os elegeram, além dos seus próprios. A PLC 122/06 passou pela Câmara dos Deputados e a bancada dos evangélicos, que é forte por lá, foi incapaz de sugerir mudanças plausíveis no projeto de lei. E não é novidade ver políticos evangélicos envolvidos com escândalos de corrupção, como o caso das ambulâncias superfaturadas e do dinheiro escondido na cueca de certos políticos-bispos.
Portanto, não temos necessidade de pessoas evangélicas nos representando no Congresso; temos necessidade de pessoas com dignidade, moral e respeito aos eleitores que nos representem. O fato de ser evangélico ou não é periférico, uma vez que um título pastoral ou religioso não confere a ninguém dignidade. Não devemos misturar as coisas; devemos votar nas pessoas têm mostrado um trabalho digno e respeitoso, com idéias boas para a comunidade em geral e que tenham caráter.
Outro ponto a ser observado é a utilização excessiva do apoio de grandes líderes e ministérios evangélicos. Aqui em São Paulo temos alguns exemplos bem conhecidos de candidatos que utilizam o apelo evangélico:
Davi Soares - o filho de R.R. Soares, líder da Igreja Mundial da Graça, aparece em sua campanha da TV sem dizer uma só palavra. Quem se encarrega de falar e pedir votos aos seus devotos é o próprio pai.
Marta Costa - a filha do presidente da CGADB, Pr. José Wellington, se anuncia em suas campanhas como a candidata escolhida pelas Assembléias de Deus para vereadora de São Paulo.
Missionário José Olímpio - Aparece em sua campanha na TV junto ao Waldemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. Waldemiro dá uma palhinha pedindo votos para o seu candidato.
Reverendo Dinarte - esse não cita nenhum ministério, mas apela para o pentecostalismo. Seu slogan na TV é “na hora de votar, deixa Deus te usaaar! Eita Deeeeus“.
Até onde é válida essa busca excessiva por apoio ministerial? Quando é que esse apoio vira falta de respeito com o cristianismo? Porque, vejamos, um líder religioso aparecer na TV pedindo votos ao seu candidato dá a impressão de manipulação da fé para benefício próprio; é isso o que me vem à cabeça quando assisto a esse tipo de apelo!
Portanto, tenhamos cuidado na hora de votar. Vamos avaliar se o candidato é apto ao cargo, se ele tem uma vida realmente íntegra e se seus planos são válidos. Se é evangélico ou não, é um fator que melhora, claro, mas que deve ser deixado em segundo plano. Afinal, ser evangélico hoje em dia não é mais um selo de caráter e dignidade como era antes. Infelizmente.
Postado em segunda-feira, setembro 1st, 2008 at 6:15 am e salvo na categoria Reflexões. Você pode obter quaisquer respostas do post através de RSS 2.0 RSS. Você pode deixar um comentário, ou rastreá-lo a partir do seu site.

setembro 1st, 2008 em 6:29 pm
Taí, concordo em n°, gênero e grau, com a seguinte afirmação: “Portanto, não temos necessidade de pessoas evangélicas nos representando no Congresso; temos necessidade de pessoas com dignidade, moral e respeito aos eleitores que nos representem. O fato de ser evangélico ou não é periférico, uma vez que um título pastoral ou religioso não confere a ninguém dignidade”.
1) Legislar, independente da religião que a pessoa professa, é tarefa para quem tam competências para tal.
2) Mais do que apoio ministerial, o candidato precisa ter alguma trajetória política.
3) Ser no mínimo competente para elaborar e expor suas propostas como representante do povo.
4) Considerando que nossa democracia é representativa, se ele “representa” o seguimento dos “Evangélicos”, que seja capaz de fazere síntese dos ideais cristãos, com os anseios daqueles que mesmo não sendo evangélicos, precisam de alguém que seja a sua voz no poder público.
Ao meu ver estas são algumas das demandas que pesam sobre os que se dizem cristãos e como tal concorrem aos cargos eletivos.
Um forte abraço e a paz!!!!!
setembro 1st, 2008 em 10:32 pm
conversava sobre isso com um
amigo meu no final de semana.
usar o poder da fé pra conseguir
votos já classifica o candidato
como um grande picareta. posso
estar sendo radical, mas não vejo
outra explicação pra quem se
aproveita da imagem de santidade
pra justificar o merecimento do
meu voto. ah, vale citar que coisas
assim também acontecem por aqui em
Maceió, nas Alagoas, terra do PC Farias,
Collor de Melo e Renan Calheiros.
setembro 1st, 2008 em 11:24 pm
Alguns destes pastores poderiam aproveitar seu tempo ensinado aos crentes mais um pouco de cidadania. Ao invés disto, estes supracitados, usam de sua influência para angariar votos. Tal fato só faz aumentar a distância entre vida cristã e cidadania consistente com os conceitos da fé em Cristo.
setembro 2nd, 2008 em 12:51 am
Os líderes evangélicos deveriam gastar mais tempo ensinando a palabra de Deus ao povo. Mas como podem ensinar se só pensam em números.Jesus mandou fazer discipulos, e não é bem isso que estamos vendo. Precisamos de verdadeiros discipulos exercendo a cidadania como representantes dos cristãos no parlamento.Mas hoje a igreja não está preocupada em formar discipulos e sim em se tornar grande e “próspera”. Precisamos retornar aos princípios bíblicos ou pagaremos muito caro por isso.
setembro 3rd, 2008 em 9:59 am
Você está brincando? Aqui tem candidato não crente prometendo elevar em 10% a taxa de crentes da cidade! É brincadeira?
setembro 5th, 2008 em 1:45 pm
Uma das coisas que vemos na palabra de Dios és: padrões de referência para a vida social. Creio que o pastor que se propuser a ensinar um pouco sobre o exercío da cidadania aos crentes, enconctrará farto material na Bíblia Sagrada. Isto também ajudaria a desfazer o mito de que política é do demo, que não presta; quando na verdade a vida do crente e do não é crente é influenciada pela política.
FUUUUUUUIIIIII!!!!!!!
setembro 5th, 2008 em 3:14 pm
E o pior é que geralmente estes candidatos são pastores e/ou líderes, e fazem uso do cargo para induzir os fiéis ao voto. Tudo o que se ouve na campanha destes candidatos é que são “pessoas de Deus” ou “representantes dos evangélicos”, nada se ouve sobre planos para governar. Falam em representar os evangélicos, mas não dizem como o farão.
Outro fato que observo é que geralmente estes candidatos começam, pouco antes das eleições, a encabeçar movimentos e eventos dentro da denominação a que pertencem e, principalmente, recebem cargos altos em sua igreja. Com isso vão se tornando “familiares” para os membros de forma que estes se sintam confortáveis em votar, baseados em uma falsa impressão de conhecer o candidato Pastor Fulano de Tal.
É uma vergonha esse show de manipulação religiosa e social que acontece dentro das igrejas fazendo lembrar os antigos coronéis, como falei lá no Cabeça de Crente.
setembro 11th, 2008 em 2:38 pm
Cara pra mim pastor é pastor, tem que cuidar de ovelhas( pessoas que precisam ser confrontadas com a palavra de Deus), calçadas, ruas, edificios, projetos de lei e coisas assim talvez possam ser executadas por irmao em cristo sim, mais por lideres espirituais eu duvido que seja a vontade de Deus. Vou dizer, meu pastor é muito conhecido no meu bairro por causa dos projetos socias da nossa igreja, já ganhou alguns titulos importantes na nossa cidade. Convidaram ele é claro para ser candidato a vereador, claro o partido nao é troxa… um homem de Deus bem conhecido na cidade muitos votos vai conceguir para o partido, mais graças a Deus por ser um servo e entende que nao pode misturar as coisas nao aceitou o convite. E vou dizer se fosse candidato eu nao seria mais sua ovelha.
setembro 22nd, 2008 em 7:47 pm
sobre as eleiçoes e a mistureba com as igrejas e lamentavel q isto aconteça, o altar e lugar santo…e pensar q no a.testamento o lider se n estivesse purificado n poderia entra no santo dos santos, e hoje e isto q vemos um comercio de ventres estufados pela cobiça do poder, ora pelo dinheiro q tudo pode render ora por mero teatro, algum destes nomes em questão n passam de mera aparencia religiosa, n passa de mera cabalista e numerologia e iludem os crentes bobinhos com cores (energeticas) citaçoes de budismo c maquiagem biblica e de doer q alguns ainda acreditam neste tais e o adorem como pr. televisivos.
setembro 24th, 2008 em 9:40 am
Falta aos nossos crentes uma cosnciência, e uma ação política. Esta não se faz somente durante os períodos de Campanha eleitoral sob o discurso pobre de que “precisamos ser representados por outros crentes”, ou “crente vota em crente”.
Politica é muito mais do que isto. É o exercício da cidadania, e cidadania é, dentre outras coisas, o exercício dos direitos e deveres, bem como a luta pela manuntenção e respeito dos direitos alheios. Ela engloba a aquisição de novos direitos.
Ser cristão e político é refletir, para conceituar o que entendemos (a partir da Bíblia, é claro) como ditreitos básicos nossos e das pessoas que nos cercam.
É acessar as esferas de poder para levantar a voz pelos desvalidos, pelos oprimidos. É saber ser simples como a pomba e prudente como a serpente para entende que nossa luta, por mais legítima que seja, nos trará oposição ferrenha de um mundo corrompido e comprometido com o pecado.
Que Deus nos abençoe!!!!