Papo de Teólogo

Conhecereis a verdade e ela vos assustará.

Origem da vida: onde começou a evolução?

setembro 4th, 2008 by René Vasconcelos

Cientistas criam novo método para decifrar origens da vida

Pesquisa tenta desvendar origem de vírus e células por meio de computador.
Cientistas da Universidade Penn State, no Estado americano da Pensilvânia, desenvolveram um novo método de computador que promete dar uma resposta definitiva sobre uma antiga dúvida da comunidade acadêmica: quem surgiu primeiro, os vírus ou as células? A resposta dará mais uma pista sobre os processos de surgimento dos seres vivos no planeta Terra.
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Esse é o ponto que pôs abaixo - cientificamente - a teoria evolucionista de Darwin. Se Deus não criou nada, tudo é fruto de uma evolução, então de onde saiu o ser vivo que começou a evoluir? Como é que uma molécula de carbono, do nada, se transforma em organismo vivo? Imagine se a ponta do seu lápis, de repente, começa a se reproduzir ou a realizar fagocitose? Difícil de imaginar.

Por isso as teorias de Darwin têm perdido força; falta um início realmente plausível para o processo. Não que o criacionismo seja aceito nas rodas acadêmicas, mas muitas correntes científicas e filosóficas ainda discutem esse assunto para solucionar um problema que não é simplesmente resolvido com combinações químicas de elementos.

Ainda continuo com a impressão de que existe um Maestro orquestrando a natureza e a criação, dando notas e subnotas nessa filarmônica em que tocamos.

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Você está preparado para defender a sua fé?

setembro 4th, 2008 by René Vasconcelos

A pergunta do título, à primeira vista, é fácil de ser respondida. Todos nos achamos aptos a defender nossa fé até o momento em que precisamos defende-la diante de pessoas com argumentos melhores que os nossos. Aí, vemos que não adianta achar que você é apto para defender sua fé; é necessário você realmente se preparar para defende-la. Veja o vídeo abaixo, retirado de um programa americano sobre ateísmo:

Aí você questiona: mas Deus não precisa que ninguém defenda fé nenhuma. Oras, em Filipenses, Paulo se diz defensor do evangelho; estaria ele errado? Quando você for questionado sobre suas razões para acreditar em Deus, o que você responderá? Descerá um anjo dos céus proclamando a defesa?

Portanto, esteja preparado; estude, medite, ore. Para que a sua palavra seja temperada e na medida, para saber como responder a cada um (Cl 4:6) e para que você não passe vergonha. Porque na hora de encontrar argumentos de defesa da fé e proclamá-los a pessoas não crentes, nehum retété pézinho de fogo vai te salvar da vergonha de não conhecer quais são as bases para sua fé em Deus.

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Notícia comentada [50]

setembro 1st, 2008 by René Vasconcelos

Bispo da Universal, candidato, diz que vai à terreiro fazer campanha, se houver convite

Representante da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), cujo guru, o bispo Edir Macedo, define as religiões afro-descendentes como “seitas demoníacas” e responsabiliza a Umbanda, o Candomblé e a Quimbanda “pela destruição do ser humano”, o deputado federal Márcio Marinho (PR), que é bispo da Iurd e vice da chapa de ACM Neto (DEM) à Prefeitura de Salvador, está disposto a quebrar um tabu da sua igreja para garantir os votos do povo de santo. “Se houver convite de Neto ou dos próprios terreiros estarei presente (no candomblé)”, garantiu nesta segunda-feira, 23, o bispo que, no domingo, 22, foi criticado pela comunidade do Terreiro da Casa Branca – um dos mais tradicionais da Bahia – por não estar na comitiva do democrata que visitou o terreiro.

Bispo Marinho primeiro justificou a sua ausência com o argumento de que, aos domingos, “abre mão de tudo para estar no culto da igreja”. Depois disse que “o meu prefeito não me convidou, porque ele respeita esta questão da diversidade”. Em seguida, admitiu que, havendo o convite, e não sendo em dia de culto, não haverá problema. Marinho disse não ter empecilho em visitar uma casa de candomblé, embora se mostre preocupado com a reação da pessoas. “Nos cobram (tolerância) e depois dizem que estamos sendo demagógicos e que é só por causa de voto”, pontuou.
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Faz-se de tudo por votos nessa terra brasilis. Os bispos da Universal passam o ano todo falando de encosto, mãe de encosto, mandinga, amarração, olho gordo e agora querem fazer campanha em terreiros de candomblé? Não é demagogia não; é patifaria mesmo.

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Misturar religião e política: até onde vale a pena?

setembro 1st, 2008 by René Vasconcelos

Brasil, 2008. Estamos em época de eleições municipais e o país ferve com inúmeras campanhas de candidatos a vereadores e prefeitos. E cada candidato adota para si a tática mais conveniente - e mais funcional - de campanha; alguns apelam para suas obras já realizadas, outros apelam por seu cargo ou ramo de trabalho, e outros - e isso discutiremos agora - apelam para a religião. São inúmeros candidatos que fazem campanha se utilizando seu título pastoral ou se beneficiando da ajuda de grandes ministérios e líderes. Vamos discutir um pouco sobre a validade dessa atitude e estudar a campanha eleitoral da cidade de São Paulo.

Quando o assunto é religião e política a primeira argumentação que se ouve é: “é necessário que os evangélicos tenham uma bancada no Congresso e nas câmaras que os representem”. Mas, uma vez eleitos, esses “políticos evangélicos” representam o que? Representam os interesses de quem? Pelo o que temos visto, esses políticos - em sua grande maioria - focam defender os interesses dos ministérios que os elegeram, além dos seus próprios. A PLC 122/06 passou pela Câmara dos Deputados e a bancada dos evangélicos, que é forte por lá, foi incapaz de sugerir mudanças plausíveis no projeto de lei. E não é novidade ver políticos evangélicos envolvidos com escândalos de corrupção, como o caso das ambulâncias superfaturadas e do dinheiro escondido na cueca de certos políticos-bispos.

Portanto, não temos necessidade de pessoas evangélicas nos representando no Congresso; temos necessidade de pessoas com dignidade, moral e respeito aos eleitores que nos representem. O fato de ser evangélico ou não é periférico, uma vez que um título pastoral ou religioso não confere a ninguém dignidade. Não devemos misturar as coisas; devemos votar nas pessoas têm mostrado um trabalho digno e respeitoso, com idéias boas para a comunidade em geral e que tenham caráter.

Outro ponto a ser observado é a utilização excessiva do apoio de grandes líderes e ministérios evangélicos. Aqui em São Paulo temos alguns exemplos bem conhecidos de candidatos que utilizam o apelo evangélico:

Davi Soares - o filho de R.R. Soares, líder da Igreja Mundial da Graça, aparece em sua campanha da TV sem dizer uma só palavra. Quem se encarrega de falar e pedir votos aos seus devotos é o próprio pai.

Marta Costa - a filha do presidente da CGADB, Pr. José Wellington, se anuncia em suas campanhas como a candidata escolhida pelas Assembléias de Deus para vereadora de São Paulo.

Missionário José Olímpio - Aparece em sua campanha na TV junto ao Waldemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. Waldemiro dá uma palhinha pedindo votos para o seu candidato.

Reverendo Dinarte - esse não cita nenhum ministério, mas apela para o pentecostalismo. Seu slogan na TV é “na hora de votar, deixa Deus te usaaar! Eita Deeeeus“.

Até onde é válida essa busca excessiva por apoio ministerial? Quando é que esse apoio vira falta de respeito com o cristianismo? Porque, vejamos, um líder religioso aparecer na TV pedindo votos ao seu candidato dá a impressão de manipulação da fé para benefício próprio; é isso o que me vem à cabeça quando assisto a esse tipo de apelo!

Portanto, tenhamos cuidado na hora de votar. Vamos avaliar se o candidato é apto ao cargo, se ele tem uma vida realmente íntegra e se seus planos são válidos. Se é evangélico ou não, é um fator que melhora, claro, mas que deve ser deixado em segundo plano. Afinal, ser evangélico hoje em dia não é mais um selo de caráter e dignidade como era antes. Infelizmente.

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Notícia comentada [49]

setembro 1st, 2008 by René Vasconcelos

Pesquisador diz que Jesus usou maconha em milagres

Um estudo publicado esta semana pela revista High Times, especializada em divulgar fatos relativos ao uso da maconha lança a tese de que muitos dos milagres de Jesus Cristo foram feitos usando uma mistura à base de maconha. De acordo com o professor de mitologia clássica da Universidade de Boston Carl Ruck, responsável pelo estudo, Cristo e seus apóstolos teriam usado um óleo feito com a planta para curar doentes.

A rede britânica BBC, que veiculou a informação, identifica a mistura de maconha usada por Cristo como o kaneh-bosem, extrato usado para curar enfermidades físicas e mentais. Os cientistas, que encontraram nas escrituras sagradas referências à utilização do kaneh-bosem, dizem que ao contrário de hoje, as propriedades medicinais da Cannabis sativa eram utilizadas por absorção através da pele.

Além dos pesquisadores norte-americanos, diversos estudiosos lingüistas já haviam identificado a maconha como o ingrediente principal do óleo referido na Bíblia. Os doentes eram mergulhados na essência, que curava epilepsia, problemas na pele, nos olhos, ou até mesmo menstruais.
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Ah! Quer dizer que Jesus era xamã agora? Já não bastava afirmarem que Moisés tomava chá de daime para ficar muito louco a ponto de “ver Deus vestindo amarelo”, agora é Jesus que se utiliza de ervas alucinógenas?

Poxa! Se for assim vamos trocar o óleo da unção das igrejas por óleo de maconha e o vinho da ceia por chá de daime! Resolveríamos muitos problemas dessa forma. Imagina o mistério do ministério… Igreja Mundial da Alucinação: onde o milagre acontece de verdade e você nem lembra.

Oportuno, não? Já que essas igrejas neo-pentecostais visam apenas “milagres” e experiências espirituais, não custa passar óleo de maconha nas pessoas. Se não acontecer a cura, pelo menos ela vai se sentir “nas alturas”.

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Um papo sobre a Bíblia [3] - se ela não for literal, o que será verdade?

agosto 27th, 2008 by René Vasconcelos

Esse estudo é uma série; para ler a série completa clique aqui.

Bom, já conversamos um pouco sobre as possibilidades de interpretação da Bíblia e da história desse livro tão importante para a construção da sociedade como a conhecemos e da nossa própria fé. Agora vamos conversar mais um pouco sobre a questão da literalidade bíblia (ou da falta dela).

Muitos ateus, gnósticos e pessoas mal intencionadas ficam apontando inúmeras falhas nos textos, erros históricos e discrepâncias numéricas. Considerar que a Bíblia não é literal, que apesar de ser inspirada divinamente foi escrita por mãos humanas e, por isso, apresenta alguns erros, responde a muitas dessas questões. Afinal, permanece o propósito da Bíblia de nos fazer conhecer a Deus e explica perfeitamente os erros no texto, por terem sido escritos e copiados por homens sujeitos a falhas.

Porém essa forma de pensar nos traz um enorme problema; se nem tudo na Bíblia é exatamente literal, então o que é? Como podemos acreditar que um texto quer dizer realmente aquilo que lemos? Como podemos continuar a sustentar nossa maneira de agir na Bíblia se não sabemos o que ela quer dizer realmente? Essas questões dão brecha para o surgimento de diversas novas filosofias, teologias, doutrinas e interpretações da Palavra. Afinal você pode pegar um texto que diz sobre alguma doutrina e distorce-la até chegar onde você quer.

Alguns grandes pensadores da atual igreja evangélica no Brasil trazem algumas tentativas de resposta quanto a esse dilema:

Ricardo Gondim fala sobre um “kit coerência”, que seria algo como a consciência própria. Se você vê que a sua interpretação de certa passagem bíblica não é coerente com a vida cristã e o resto da Bíblia, você descarta sua interpretação. O grande problema dessa visão é que os valores mudam muito de pessoa a pessoa; existem pessoas tão corrompidas que acham coerentes seus próprios erros.

Caio Fábio fala que toda a passagem bíblica deve ser comparada com as atitudes de Jesus Cristo. Se você percebe que a sua interpretação de certa passagem não é coerente com a vida de Cristo, você a descarta. Segundo Caio, a Bíblia é a Palavra de Deus enviada a nós através de mãos humanas, passível de problemáticas, mas Jesus era a Palavra encarnada, portanto, sem erros ou más interpretações. O problema é que os atos de Jesus também chegaram até nós através de mãos humanas, testemunhados através de livros escritos 40 anos após a Sua morte. Como saber se esses livros são literais ou não?

Nos corredores da sede da Assembléia de Deus Belém, aqui em São Paulo, corre uma teoria também interessante: se um ensino ou uma doutrina bíblica aparece mais de uma vez na Bíblia quer dizer que ela deve ser aplicada em nossas vidas. Apesar de ser interessante, é uma tentativa simplista de resolver uma questão tão complexa.

O assunto é de difícil trato e bem mais complexo do que se imagina. Eu, pessoalmente, não acredito que haja uma fórmula padrão para se verificar se uma passagem deve ser considerada literal ou não; todos os textos devem ser analisados detalhadamente para verificar se há a presença de erro ou algo acrescentado humanamente. Apesar dessa ser a solução mais dispendiosa, creio ser a mais criteriosa. Fatores como coerência textual, tradução e coerência doutrinária devem ser observados na hora de pensar num texto bíblico como literal ou não.

Mas por que coerência doutrinária? Na minha concepção, simplesmente porque a Bíblia, por ser inspirada divinamente, não apresenta falha doutrinária. Apesar dos textos possuirem pequenos erros de registro, a mensagem doutrinária e ensinadora, o que Deus realmente queria nos ensinar, foi preservada intacta através de milênios graças à intervenção divina.

Lembrando que essas visões sobre a Bíblia não são absolutas; apenas as estou mostrando para que o leitor tenha maior consciência sobre o que se pode pensar dela. Se você acredita ser a Bíblia uma palavra inerrante, ninguém está aqui para contrariá-lo. Nosso intuito é conversar mais sobre a Bíblia no propósito de instigar a necessidade de conhece-la mais profundamente.

No próximo capítulo começaremos a estudar as formas de analisar a Bíblia e suas possíveis falhas. Começaremos com o Pentateuco e sua forma de se relacionar com o povo de Israel.

Categoria: Estudos | 8 Comentários »

Matéria sobre Jesus na revista Galileu

agosto 26th, 2008 by René Vasconcelos

Olá pessoal!

Esse mês saiu uma matéria especial sobre o Jesus histórico na revista Galileu. Participei do artigo com a minha opinião sobre as pesquisas sobre o Jesus personagem, tão enigmático aos olhos seculares.

Vale a pena dar uma conferida na matéria e agradeço ao jornalista responsável pelo artigo por se preocupar em buscar uma opinião evangélica para o assunto.

Confiram e abraços a todos!

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Notícia comentada [48]

agosto 25th, 2008 by René Vasconcelos

Igreja Universal é obrigada a devolver dízimo de fiel em Minas Gerais

A Igreja Universal do Reino de Deus em Belo Horizonte foi condenada a devolver valores destinados à congregação desde 1996, em valores ainda a serem apurados na liquidação da sentença, e ainda ressarcir um homem em R$ 5.000 por danos morais. Segundo o TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), o fiel foi considerado incapaz de tomar decisões por contra própria.

Na sentença, desembargadores entenderam que a Igreja Universal fora negligente ao aceitar as doações. “A instituição religiosa que recebe como doação valor muito superior às posses do doador, sem devida cautela, responde civilmente pela conduta desidiosa”, disseram desembargadores da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Ainda de acordo com o tribunal, o homem contraiu empréstimo em instituição financeira e chegou a vender um lote por valor aquém do que o terreno valia em prol da Igreja Universal. Com “promessas extraordinárias”, segundo o processo, o homem fora induzido a fazer as doações financeiras e, por seu turno, pessoas que tentavam demovê-lo da prática eram tachados de “demônio”. A mãe seria o principal ente do mal para ele.
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Acho que encontrei a solução para a Universal evitar esse tipo de gente “mal intencionada” que fica pedindo o próprio dízimo de volta!

Super RECIBO CONTRA DEVOLUÇÕES!!!

E como seria anunciado o recibão?

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Evangelismo na TV - até onde isso é sincero?

agosto 25th, 2008 by René Vasconcelos

Passamos no Brasil por uma situação no mínimo curiosa; as grandes igrejas evangélicas estão em um combate silencioso, lutando por espaços na TV. São propostas milionárias em busca do melhor horário, do maior tempo no ar, do canal mais visitado, enfim… a busca é por audiência.

É real a necessidade que temos de buscar novas mídias para o evangelismo. O rádio já é um meio consagrado e muito valioso de evangelismo. Os cultos do “Cristo em Casa” transmitidos pela rádio Melodia no Rio de Janeiro marcaram a minha infância e me apoiaram quando eu precisava ouvir uma boa pregação. E até hoje o rádio contém inúmeros bons programas evangelísticos, como as pregações de Gondim. A internet é outro meio muito utilizado para evangelismo, visto que é fácil encontrar um bom estudo, uma boa palavra e até mesmo estudar a Bíblia em sites robustos de teologia.

Mas e a TV? De que forma ela tem sido utilizado para um real evangelismo? Vejamos as notícias abaixo:

“Por vontade do Senhor, e não tenho outra explicação para dar, a partir do dia 1º de setembro, toda a madrugada da Rede Bandeirantes será de nossa responsabilidade. O que nos impressiona nisso tudo é que fizeram ofertas milionárias por este horário, mas o dono da Rede Bandeirantes não aceitou nenhuma das propostas. Mandou chamar-me e ofereceu-me o espaço por 1/3 do que estavam propondo à emissora”.
Essas foram algumas das palavras do pastor Silas Malafaia ao falar de mais uma bênção que Deus o concedeu. Por conta do novo horário, o programa Vitória em Cristo terá mais tempo de exibição. Aproveitando esse grande espaço, o pastor Silas dará oportunidade a vários pastores para que preguem mensagens edificantes e, assim, ganhem almas para o Reino de Deus.
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Após o fim precoce do contrato com a PlayTV, em julho, a Rede 21 optou inicialmente por seguir com uma grade própria, mas acabou fechando contrato com a Igreja Mundial do Poder de Deus, que terá assombrosas 22 horas diárias de programação.
O contrato com a igreja vale por cinco anos, e só não é de 24 horas por dia porque a lei obriga que as redes tenham pelo menos duas horas diárias de programação jornalística. O novo diretor de programação é o pastor Ronaldo Didini, ex-Igreja Universal.
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Pelas notícias observamos que a corrida atrás de horários na televisão é grande e estima-se que as quantias de dinheiro gastas nesse propósito são absurdas. É realmente válida essa proporção do uso da TV? Uma hora ou duas por dia não seriam suficientes para um evangelismo sincero com uma boa pregação? Esse anseio por horários na TV não virou algo mais comercial do que evangelístico? Até onde vai a sinceridade nesse tipo de empreendimento?

Começo a refletir se não seria mais efetivo gastarmos essas montanhas de dinheiro em campanhas beneficientes, obras sociais, apoio a comunidades carentes. Talvez o número de pessoas alcançadas fosse menor, mas o número de pessoas que teriam suas vidas realmente transformadas seria muito maior.

E só para constar; assisti a inacreditáveis 2 horas seguidas da programação da Igreja Mundial do poder de Deus semana passada. A Bíblia não foi citada nenhuma vez durante todo esse tempo. Evangelismo?

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O preço do conhecimento

agosto 25th, 2008 by René Vasconcelos

A alguns dias venho passando por uma certa crise. Como eu sempre estudo ministérios dos mais diversos tipos, acompanho cultos, pregações e pessoas nas igrejas, tenho observado a situação desgastada da igreja evangélica na sociedade atual. São tantas pessoas enganando e tantas pessoas QUERENDO ser enganadas dentro das igrejas! Se prega um evangelho de felicidade, no qual o único objetivo de seguir a Cristo seria a sua própria felicidade, quando a verdade não é bem essa. E a igreja não procura ensinar às pessoas; ao contrário, a grande preocupação da maioria das igrejas é a de como limitar o que seus membros têm conhecimento. As pessoas que começam a ter um entendimento mais amplo e enxergar os erros, começam a ser executados, execrados e removidos do “meio evangélico”.

Comecei a me questionar sobre a validade de se ter um conhecimento mais amplo; eu não era mais feliz quando não enxergava esses erros nas igrejas? Sim, era. Eu era muito mais feliz quando inocente; não tinha o peso de conhecer nem o dilema de, uma vez conhecendo, de os tornar públicos ou não. Salomão nos mostra o peso do conhecimento:

“Apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a saber o que é loucura e o que é estultícia; e vim a saber que também isto é correr atrás do vento.
Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza.” (Ec 1:17,18)

Conhecer os reais defeitos da igreja e querer anunciá-los no intuito de promover uma reforma silenciosa só tem me trazido enfado e tristeza. Tristeza pela constatação de que o evangélico atual não quer aceitar o próprio erro; ele prefere estar acomodado sobre um evangelho que visa o seu próprio bem pessoal em detrimento a um evangelho dedicado ao próximo. A arrogância, o culto ao ego e o orgulho das pessoas têm sido cultivado dentro das igrejas. Afinal, se você pode decretar vitórias e exigir bençãos provindas de Deus, quem seria capaz de dizer que o que fazes é errado?

Saudades de quando eu era néscio. Eu não era cobrado já que eu não conhecia. Hoje, se me calo, me torno cúmplice do vandalismo que certos líderes religiosos fazem com o evangelho. Não quero ter, em minhas mãos, o sangue das pessoas enganadas com falsas promessas sobre os púlpitos.

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Porque existem pessoas ricas e pessoas pobres?

agosto 23rd, 2008 by René Vasconcelos

Existe um grande questionamento que assombra a humanidade desde seus primórdios; porque existe a pobreza? Porque essa distribuição desigual de renda, de oportunidade? O que permite a pessoa enriquecer ou empobrecer? Muitos filósofos e pensadores de renome tentaram explanar de um modo sociológico esse fenômeno, outros culparam regimes governamentais, outros a política econômica, como o capitalismo. Existem inúmeras respostas, inúmeros porquês e nenhuma solução.

Nas igrejas o assunto é ainda mais profundo; porque Deus permite a pobreza? Porque existem cristãos fiéis pobres e ricos, se eles são fiéis na mesma proporção? Pior; porque existem tantas pessoas perversas com tanto dinheiro enquanto cristãos fiéis passam por tantos problemas financeiros? Porque o Senhor, o qual afirmamos justo, permite tamanha discrepância?

E teologia da prosperidade?

Os colonizadores dos EUA desenvolveram uma visão teológica deturpada baseada no Calvinismo. Eles tinham a visão de que as pessoas escolhidas por Deus para a salvação eram marcadas por serem bem-afortunadas e prósperas, enquanto as pessoas não escolhidas por Deus tinham como marca a pobreza e a miséria.

As igrejas neo-pentecostais remontam essa antiga visão deturpada e tratam a pobreza como um castigo divino ou uma ação do demônio. Essas denominações anunciam em rádios ou TVs que, caso a pessoa ingresse a tal igreja, ela será abençoada e seus problemas financeiros terão fim, se utilizando da já famosa Teologia da Prosperidade. Essa falsa teologia tem por fim indicar que todo o servo fiel do Senhor deve ser próspero financeiramente e, caso não seja, indica que há algo de errado em sua vida.

Essa é uma visão anti-bíblica visto que, se observarmos Jesus Cristo como homem, ele era apenas um carpinteiro de uma humilde região; ele não era próspero financeiramente, morava em uma casa, segundo pesquisas recentes registram, com no máximo dois cômodos, não tinha a menor vergonha disso e muito menos se sentia menos abençoado por, sendo Deus, nascer pobre.

Mas porque a pobreza?

Agora, reflitamos mais sobre a pobreza; ser pobre não significa viver em miséria. Você pode não ter dinheiro para comprar o que você deseja ou o que seu filho deseja ou até passar por dificuldade com as contas do mês; isso é reflexo da economia do seu país, das oportunidades que você teve e até mesmo das suas decisões, tomadas ao longo da sua vida. Devemos parar de sermos egoístas e pensar que só por sermos cristãos a prosperidade deveria ser mais fácil para nós. Todos, cristãos ou não, são passíveis da riqueza ou da pobreza; não é algo espiritual. Jesus não nos engana quanto às dificuldades do mundo:

“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16:33)

Mas o Senhor não diz que o justo prosperará?

Devemos ter em mente que as bençãos do Senhor não são simplesmente em bens materiais; podem ser em saúde, na família, em sabedoria e outras virtudes que não apenas o dinheiro.

“Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz.” (Sl 37:11)

Quando a Bíblia fala em “herdar a terra” não significa posses; está relacionado a abençoar a sua descendência, assim como foi feita a promessa a Abraão. Abraão não possuiu a terra de Israel mas a sua descendência tomou posse dela e a povoou por causa da retidão de Abraão. Você sendo reto talvez não tenha posses, mas terá uma família abençoada e abundante em paz, graças a sua retidão.

Então um justo pode passar fome?

Não devemos aceitar é a miséria; devemos trabalhar e lutar incessantemente para que não falte o pão em nossas casas! Isso é nosso dever. Uma pessoa justa, com capacidade de trabalhar, não ficará parada esperando Deus abençoar; irá trabalhar sem preguiça para que pelo menos o pão não falte na mesa de seus filhos. Esperar sentado Deus abençoar não é uma atitude honesta de quem tem condições de trabalhar. É certo que vivemos tempos em que é muito difícil arranjar emprego, mas não devemos desanimar de procurar, nem sentar esperando por um.

“Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão.” (Sl 37:25)

E quanto aos injustos que enriquecem?

Como já dissemos, todos são passíveis de pobreza e riqueza. Não devemos de maneira nenhuma achar que uma pessoa mais rica é mais abençoada que você; ela é rica também por um conjunto de situação econômica do país, oportunidades (como heranças e possibilidade de melhor estudo) e escolhas que ela fez ao longo da vida. Não podemos invejar, pois se a pessoa for injusta, ela terá a sua recompensa em seu determinado tempo.

“Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios.” (Sl 37:7)

Conclusão

Assim como não devemos achar que a riqueza é sinal de benção, também não podemos achar que a pobreza é um sinal de santidade. Você pode muito bem almejar uma situação financeira melhor e trabalhar muito para tal. O que você não deve é deixar que isso seja o mais importante para você, nem medir as pessoas por sua posição social.

Outra coisa que devemos observar também é que existem pessoas com mais facilidade em ganhar dinheiro que outras. O autor de Eclesiastes nos diz que isso é um dom de Deus. Devemos nos importar em tentar viver bem com o nosso salário, seja ele grande ou pequeno, mas que seja justo e honesto e recebido com alegria.

“Eis o que eu vi: boa e bela coisa é comer e beber e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu; porque esta é a sua porção.
Quanto ao homem a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus.” (Ec 5:18,19)

Que procuremos trabalhar, suar a camisa pelo sustento de nossa família e adorar a Deus através de nossa alegria em receber nosso salário, fruto do nosso esforço. Se existem diferenças sociais, elas se acabam quando existe um coração que se alegra pelo fruto de suas mãos. Paremos de querer colher mais do que plantamos. Paremos de indagar pela história dos outros e sejamos responsáveis pela nossa própria história.

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Comparando opiniões [2]

agosto 21st, 2008 by René Vasconcelos

Depois que comecei o estudo sobre a Bíblia tenho recebido muitos elogios, muitas críticas e observado as opiniões de cada um que me escreve. Respeito a cada uma e agradeço a todos que comentaram, pois essa é a real intenção do estudo: gerar um ambiente em que possamos nos expressar e aprender mais da Palavra de Deus.

Duas dessas opiniões, muito divergentes uma da outra, explicitam bem o impasse sobre como os cristãos observam a Bíblia. Observe:

Ao afirmar que a Bíblia “tem duas mil contradições”, o irmão está, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa de Silveira Bueno, afirmando que a Bíblia é incoerente com o que diz, que suas passagens estão em desacordo com a realidade. Se isto fosse verdade, quais benefícios espirituais teriam os que buscassem em suas páginas alívio para suas almas? Que credibilidade pode ter um livro incoerente desarmonioso consigo mesmo?

Portando, querido irmão René, a afirmação que o irmão faz, não suporta ao um estudo sério e legítimo da Palavra de Deus, que, como afirma o Apóstolo Pedro, por haver pontos de difícil entendimento, para alguns, é mais cômodo atacá-la, mesmo que inconscientemente, afirmando haver nela “duas mil contradições”, quando a mesma afirma não haver nenhuma.

E compare com esse comentário:

…visito o seu blog e tenho gostado muito das ricas informações. De um tempo para cá comecei a ver e ler a Bíblia com uma perspectiva diferente, mais critico talvez, mas pelo lado bom, quero conhecer mais o contexto histórico e literário, saber mais sobre o que as palavras querer dizer em sua lingua original e tals, para mim isto está sendo uma benção, mas tbm é ai que entra uma questão delicada - quando vejo determinadas pregações que não falam sobre o pecado, o arrependimento e a ira futura e sim de bençãos sem fins… amado, mas que coisa… fico sem saber o que falar e para quem falar que pregações assim são metirosas e que a teologia da prosperidade é demoniaca.

Quando vejo essa diferença de opiniões, de modos como observam um estudo, começo a me questionar: é realmente válido cultivar uma fé engessada na qual criam-se resposta pré-fabricadas para que todos decorem ou é preferível instigar as pessoas a pensarem, a conhecerem mais da Bíblia, a serem mais críticos?

Vou novamente dizer que o estudo sobre a Bíblia visa cultivar no cristão um pensamento mais completo sobre ela a ponto de possibilitar o leitor a ter sua própria visão sobre a Palavra de Deus. Instigar a pensar, questionar e estudar é algo que só vai alimentar nossa fé, ao invés de secá-la como muitos dizem.

Para completar, disponibilizei um link completo na barra superior para os estudos. Assim, pessoas impulsivas não terão como criticar o estudo apenas por uma parte.

Deus os abençoe e lhes inspire entendimento.

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Mudança de visual do blog

agosto 21st, 2008 by René Vasconcelos

Olá povo!

Nesses próximos dias o Papo de Teólogo passará por algumas pequenas mudanças em seu visual. Como estou testando algumas idéias, até chegar a um ponto final passarei por alguns rascunhos - portanto não se assustem.

Deus os abençoe.

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Prêmios de blogs

agosto 21st, 2008 by René Vasconcelos

Entre os blogueiros rola uma espécie - na verdade várias - de premiação, ou simplesmente selos, que os blogueiros distribuem aos blogs que mais lhe agradam.

Nesse ano recebi três desses selos e gostaria de compartilhar com os leitores e agradecer aos que me indicaram. São eles:

Agradeço aos blogs Rapensando, Sorogospel e Baptized in Fire pelos selos e os dedica aos blogs da minha lista de preferidos, localizada ao lado. São blogs que recomendo como leitura diária!

Abraços a todos!

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Um papo sobre a Bíblia [2] - origens

agosto 19th, 2008 by René Vasconcelos

Se você não leu o primeiro capítulo, clique aqui.

Antes de continuarmos nossas discussões sobre a literalidade da Bíblia, se ela é inerrante ou se é passível de erros, é válido conversarmos um pouco sobre sua origem. De onde vem esse livro que guardamos empoeirado na estante ou amarelando sobre a mesa, aberta no Salmo 91? Como foi compilado, como foi copiado até os dias de hoje, quais os fatores que pesaram na escolha dos livros que o compõem e, principalmente, ele foi adulterado para cegar a fé cristã? Vamos começar.

***O Antigo Testamento***

O Antigo Testamento como nós conhecemos se origina do Tanakh, a Bíblia dos judeus. Ela é composta pelos mesmos textos do nosso Antigo Testamento, mas em posições geralmente diferentes. O Tanakh é composto por diversos livros provindos da tradição hebraica. Muitos desses livros não foram escritos na mesma época em que os fatos descritos aconteceram; provém de uma tradição oral, de histórias que passaram de geração em geração e foram transformados em escritas. Por exemplo: Gênesis é uma compilação de histórias já existentes na tradição hebraica, que Moisés teve o trabalho de ajuntá-las, organizá-las e montá-las, originando Gênesis como nós conhecemos.

Já livros como Samuel e Reis foram escritos de maneira mais atualizada, pela já existência de escribas no reino, que redigiram as histórias de Israel desde os Juízes e os pensamentos de seus reis e profetas.

Mas esses livros não foram criados já grudados uns nos outros; eles eram livros avulsos. Foi com a Grande Assembléia, ou a Grande Sinagoga, assembléia composta por 72 escribas e profetas, que os livros foram “canonizados”, ou seja, que foram escolhidos os livros que fariam parte de um conjunto sagrado. Essa canonização não foi um processo rápido; estima-se que o Tanakh foi compilado entre 400AC até 200AC, num processo de eleição e escolha pelos livros que se adequavam ao Torah e que eram úteis à cultura e à religião hebraica. Essa assembléia teve origem com o fim dos profetas e durou por cerca de duas gerações, até a era rabínica. Para efeito de curiosidade, vale lembrar que o Tanakh é até hoje dividido em três partes:

- Torah: os cinco livros de Moisés (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronomio).
- Nevi’im: são os livros que cobrem, de maneira cronológica, a entrada na Terra Santa até antes do cativeiro babilônico, excluindo Crônicas. Composto por 8 livros, lembrando que I e II Reis e I e II Samuel são um livro só e os profetas menores estão todos em um só livro (Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Os doze profetas).
- Ketuvim: São livros de poesias, cânticos e sabedoria. Formado por 11 livros (Salmos, Provérbios, Jó, Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras/Neemias, Crônicas).

***Septuaginta***

Segundo a tradição, 70 rabinos judeus de Alexandria traduziram o Tanakh para o grego, para Biblioteca de Alexandria. O trabalho foi terminado por volta de 150 AC e incluia livros que não faziam parte do Tanakh, os chamados livros deuterocanônicos, ou seja, livros apócrifos como Tobias, Macabeus, Judite, Sabedoria e Baruque.

***O Novo Testamento***

Vale lembrar que o Novo Testamento, assim como o Antigo, é composto por livros avulsos que foram escritos, muitas vezes, décadas depois do fato descrito por eles. Por exemplo, o evangelho escrito mais próximo da vida de Cristo data de cerca de 70DC. Até 50DC a tradição acerca do cristianismo era apenas oral. Porém dessa época, até 150DC, começaram a circular inúmeros documentos com histórias sobre Jesus, esinamentos, cartas, enfim… inúmeros documentos surgiam creditados aos apóstolos, mas de falsa autoria, além de textos originais adulterados.

A canonização, ao contrário do que muitos pensam não foi um processo instantâneo, onde um grupo de pessoas fizeram uma decisão e pronto; esse processo demorou séculos para ser consumado. Cada igreja usava um texto diferente e haviam muitos usando até mesmo textos gnósticos. Com o surgimento de tantos ensinamentos diferentes, se fazia necessária a sistematização do ensino cristão. Marcion de Sinop, bispo da Ásia Menor, foi o primeiro a dar criar um cânon, uma compilação de textos. Porém ele desprezou totalmente o Antigo Testamento a ponto de adulterar textos da vida de Jesus que o conectassem ao AT.

Desde Marcion, diversos outras tentativas de se formar um cânon foram promovidas. Passou pelo Muratorian, pelo Diatessaron, passou por Irineu e foi ficando cada vez mais parecido com o que nós conhecemos hoje, até chegar, em 331 DC, no tão conhecido Constantino, o Grande. Constantino conheceu o cristianismo através de sua mãe Helena e a fase de sua vida em ocorreu a sua conversão é incerta. Ele solicitou 50 bíblias a Eusébio de Cesaréia para a igreja em Alexandria. Eusébio compilou um texto composto por uma cópia da Septuaginta, os Evangelhos, algumas epístolas, carta aos Hebreus, Timóteo, Tito, Filemon e Apocalipse. Essa necessidade diante de Constantino gerou as primeiras “listas canônicas”, criando o Codex Vaticanus, um dos primeiros exemplos de Bíblia mais próximo com o que conhecemos hoje.

Constantino também convocou, em 325 DC, o Concílio de Nicéia, mas não com intuito de especular sobre o cânon; a grande questão era sobre doutrina, principalmente sobre a questão da relação Jesus-Deus. Ainda naquela época existiam igrejas que consideravam Jesus um profeta, outros um anjo, outros realmente Filho de Deus. Em 382 DC, Jerônimo traduziu a Septuaginta para latim e formou a Vulgata Latina, considerada como cânon oficial até o Concílio de Trento.

No Concílio de Trento, realizado em 1546, foi oficializado pela última vez a versão do cânon incluindo os livros deuterocanônicos. Esses livros estavam juntos à Vulgata, mas em uma seção chamada Apocripha. Neste concílio também foi condenado os princípios protestantes promovidos por Lutero. Foi neste ponto em que separaram as Bíblias e as doutrinas católicas das protestantes.

É bom lembrar que os concílios, assim como todos os grupos que fizeram parte dessa longa formação do cânon, tinham como base para aceitação dos livros: a autoridade do autor através da forma de escrever ou de passar uma idéia no texto; conteúdo que desmontrasse um real caráter divino, além de outros fatores. É interessante observar que, mesmo antes dos canôns, as igrejas cristãs usavam praticamente os mesmos livros para ensinamento. Demonstração de inspiração divina?

***Copistas e adulterações de texto***

Outro grande ponto de questionamento é sobre a autenticidade do texto canônico. Seria ele modificado ao bel prazer dos líderes religiosos para cegar os fiéis? Um texto adulterado por homens para manipular a sociedade? A história não nos permite tal hipótese. Como sabemos que o processo de canonização, ou escolha dos livros para formar a Bíblia, foi um processo lento, gradual e acontecia ao mesmo tempo em diversas partes do mundo, não há como pensar em uma mudança drástica dos textos por intuito dos líderes de manipular seus seguidores. Além disso, a Bíblia da forma que ela é hoje é o grande dedo apontado contra as igrejas tanto católica quanto evangélicas. Todos os erros cometidos por essas igrejas são fortemente combatidos na Bíblia. Porque então os líderes religiosos não removeram essas passagens bíblicas que condenam os erros eclesiásticos?

Algo que é possível e, por sua vez, devemos ficar atentos são pequenos erros não intencionais derivados de copistas. O Antigo Testamento passou por inúmeras mudanças de linguagens ao longo de milênios, o que deve ter deixado seus copistas enlouquecidos. Já o Novo Testamento passou por copistas amadores no princípio da igreja, que copiavam os textos voluntariamente conforme a necessidade das igrejas. Eram homens um pouco mais letrados que a maioria que tinham essa árdua tarefa. Só depois de algum tempo é que a igreja passou a separar e preparar homens especialmente para essa função, o que diminuiu bastante o perigo de alteração dos textos.

Existem também as alterações maldosas, muito comuns principalmente entre 50 e 150 AC. Eram gnósticos adulterando cartas paulinas, igrejas adulterando escritos para criar doutrina própria. Era tão comum que vemos muitos escritos dessa época finalizando com uma maldição contra quem adulterava os textos. Exemplo disso é o fim do livro de Apocalipse (Ap 22:18,19), no qual João amaldiçoa quem tentar adulterar o texto.

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O texto está grande… mas essa parte é muito necessária para começarmos definitivamente a conversar mais sobre a Bíblia.

***Fontes:***

Jewish Encyclopedia
Catholic Encyclopedia
The Septuagint - Joel Kalvesmaki
O que Jesus disse, o que Jesus não disse - Bart D. Ehrman

Categoria: Estudos | 14 Comentários »

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