Um papo franco sobre a igreja - parte 1
February 17th, 2008 por Rene
Igreja: Organismo x organização
Antes de começarmos qualquer conversa, tenhamos em mente que existem duas igrejas: a Igreja como organismo e a igreja como organização.
- Organismo: essa Igreja foi criada por Jesus Cristo em vida e homologada com sua morte e ressurreição. Ela não é física, portanto não pode ser representada por templos, pastores ou denominações, é eterna e incorruptível por não ter sido criada ou modelada por homens. Essa Igreja é um organismo vivo e pulsante, sendo a real interpretação para a expressão “corpo de Cristo”. Tem como objetivo a propagação do evangelho e a transformação de vidas, independente de estruturas ou distâncias.
- Organização: essa igreja foi fundada pelos apóstolos para dar uma característica física e mais acessível para a Igreja organismo. Por ter sido fundada por homens, sempre apresentou controvérsias, algumas divergências de opiniões e falhas. Essa igreja é representada pela estrutura física e organizacional, por templos ou por seus pastores fundadores e dirigentes. Não é uma estrutura eterna, por ter sido criada pelos homens, também não é incorruptível e é divisível, como se vê hoje com a criação de diversas denominações, cada qual com sua opinião sobre a vida cristã. Seu principal objetivo deveria ser a mesma da Igreja organismo - afinal foi criada para dar uma estrutura física à Igreja - mas, por ser administrada por homens, que são sujeitos ao erro, apresenta diversas falhas nesse propósito.
Ps. Vou marcar a Igreja organismo em azul e a igreja organização em vermelho para melhor visualização e leitura.
Entendamos também que a Igreja sobrevive sem a igreja, como no caso das perseguições religiosas em Roma; mesmo sem possuir estruturas, com seus líderes sendo mortos e seus locais de adoração sendo vigiados, a Igreja persistiu e persiste até hoje. Já a igreja não sobrevive sem a atuação da Igreja por ser esta última o foco da atuação do Espírito Santo.
Agora que entendemos essa diferença, vamos conversar um pouco sobre a atual situação do cristianismo no Brasil. Em 2000 o IBGE contou o expressivo número de 26.184.942 templos evangélicos em nosso país, com estimativa de crescimento de 7,43% ao ano. Levando em conta essa estimativa, hoje devemos ter cerca de 41.749.270 templos evangélicos espalhados por todo o Brasil. Você deve estar pensando: “glória a Deus, como a igreja cresceu no Brasil!”. Mas paremos para refletir; é a Igreja ou a igreja que está crescendo?
Acompanhamos de perto diversas denominações evangélicas crescendo em ritmo acelerado; Assembléia, Universal e Renascer são exemplos de denominações que cada vez mais espalham templos por todo o Brasil. Novos ministérios são criados todos os dias por motivos de separação, diferentes opiniões, ou divergências entre líderes. E tudo isso em um ritmo cavalar; mal conseguimos acompanhar esse crescimento. Igrejas têm se estruturado como empresas com metas, público alvo e lucros; as pessoas, ao invés de cristãs, se tornam “partidárias políticas”, defendendo seu ministério e seus líderes com unhas e dentes como xiitas em uma guerra santa.
Enquanto isso a Igreja, aquela fundada por Jesus, tem ficado esquecida. Ninguém mais a defende, ninguém sequer lembra dela. Criamos para nós teologias ou explicações bíblicas como melhor nos convém para que nossa igreja sacie nossas próprias vontades e deixamos de lado a verdade que Jesus Cristo nos deixou. Portanto, vemos que o que tem crescido mesmo é a igreja, sua estrutura e a fama de seus líderes. A Igreja verdadeira, com o seu propósito, está sendo deixada de lado.
Diante dessa triste constatação, pensemos um pouco; o que temos defendido atualmente? Denominações, líderes e falsas teologias que nos convém? Vidas têm sido realmente transformadas ou têm servido de marketing para ministérios? Há a necessidade de uma nova reforma no cristianismo?
Esse papo continua.
Postado em Sunday, February 17th, 2008 at 9:07 am e salvo na categoria Reflexões. Você pode obter quaisquer respostas do post através de RSS 2.0 RSS. Você pode deixar um comentário, ou rastreá-lo a partir do seu site.

February 18th, 2008 em 12:31 am
Mais um post inteligente, René!
Continue, mal posso esperar pela segunda parte. =P
February 28th, 2008 em 10:51 am
Caro René
Lí sobre os 2 artigos “Um papo franco sobre a Igreja”
Realmente a situção da “Ek-clesia” no século XXI está bem distante da daquilo que o Senhor Jesus propos aos seus discipulos.
Devido ao homem não se conhecer acaba-se em corromper a vontade do SENHOR.
Em João 17 O Senhor Jesus na como u Sumo Sacerdote orou ao Pai que todos nós fossemos um como Ele eraum com Pai o desejo do Seu coração era que todos fossemos Um com Ele, e o versiculo conclui “para que o mundo creia” Ora o que estamos vivendo hoje atesta justamente o contrario. Precisamos voltar ao inicio.
Quando João escreveu para a Igreja em Efeso Ap:2 o apostolo exortou para que ele voltasse a prática das primeiras obras .Hoje precisamos despertar para necessidade URGENTE. Voltar ao princípio.
Quando o Senhor estabeleceu a Igreja em Jerusalém ( a 1ª) o desejo do Senhor era que todos em Jerusalém fosse um, ou seja, mesmo que fossem diferentes uns dos outros ainda assim teriam que ser pela unidade do CORPO naquela cidade
Hoje estamos voltando ao princípio e estabelecendo em cada cidade apenas uma igreja, o testemunho da Unidade do Senhor
Graça e Paz no Senhor Jesus Cristo
Luis Leite
March 15th, 2008 em 1:59 am
Gostei demais pela sua ideia de se referir com diferentes cores a Igreja desse artigo.