Um papo sobre demônios [3] - vivenciando uma possessão
julho 30th, 2008 por René Vasconcelos
Os leitores deste blog já sabem que eu sou muito cético quando o assunto é demônios. Se a Bíblia, em sua grande maioria, busca enaltecer o amor de um Deus por seu povo e dá pouca importância à figura de um ser maligno, porque eu vou dar importância a isso? Para mim a figura do demônio que desafia Deus nada mais é que um misticismo desenvolvido pelos hebreus após a saída do exílio babilônico e ampliado pelo sincretismo católico. Para entender melhor essa linha de pensamento leia toda a série “Um papo sobre demônios“.
Porém, a teoria não é válida se você não a põe em prática; e eu tive a oportunidade de vivenciar - e ter de enfrentar - um caso de possessão. Segue o testemunho de forma reduzida.
Certo domingo, após a igreja, eu estava reunido com amigos numa pizzaria. Minha namorada recebeu o telefonema de um amigo; o pai de um colega estava agindo de maneira estranha, como um animal raivoso e ninguém o conseguia segurar. Tentei orar por telefone, mas só piorei a situação; o homem possesso ficou ainda mais agitado.
Ficou decidido que iríamos até o local, um bairro da periferia de São Paulo, às 11 da noite, para ajudá-los. Fui eu e o Mineiro com a difícil missão de acabar com a possessão. Oramos durante o longo trajeto para que o Senhor nos desse sabedoria para lidar com o que acontecia. No meu ceticismo eu imaginava que aquilo era somente coisa de gente bêbada; eles haviam passado o domingo inteiro bebendo.
Ao chegar no local encontramos uma cena atordoante; diversos homens e rapazes sujos, com roupas rasgadas e muito feridos. Eles haviam tentado segurar o homem possesso sem sucesso. Subimos até a casa pois o possesso, aparentemente já estava melhor; ele estava tomando banho. Conversamos com a família e, quando o homem saiu do banho e nos viu na sala, começou a nos acusar de te-lo agredido e tentou sair da casa. Ao tentar sair da casa ele se jogou no chão e começou a se debater; começava novamente a manifestação.
Eu e o Mineiro seguramos o homem e começamos a clamar pelo nome de Jesus. O possesso gritava que não iríamos tirá-lo de lá, que éramos fracos. Algum tempo e MUITO esforço depois, o homem se acalmou. O levamos para a cozinha e demos café bem forte para ele (eu ainda tinha dúvidas se ele não estava apenas bêbado); tudo parecia bem. Porém no momento em que seu filho, na varanda, aceitou a Jesus, ele começou a manifestar novamente. E dessa vez foi a confirmação de que era muito mais do que apenas bebedeira.
Ele começou a dizer que era apenas um enviado de Deus para ajudar a família. Aquilo me abalou profundamente pois eu sempre acreditei que o diabo fosse um instrumento de Deus para Seus propósitos. E, naquele momento, com a família vendo tudo aquilo, era óbvio que eles se amedrontariam e aceitariam ao Senhor. O que me abalou também foi perceber que aquele homem possesso, um zelador sem muita cultura, com aquela declaração mostrou um profundo conhecimento teológico. Logo após, declarou que iria sair daquele “cavalo” mas que iria atacar outras vidas e tudo aquilo seria em vão. Após pouco tempo o homem se acalmou.
O semblante do homem era visivelmente diferente e o homem que antes gritava como um animal raivoso, se mostrou um homem de voz mansa, calmo. Em lágrimas ele, sua família e os donos da casa aceitaram a Jesus; um total de 5 pessoas. O ambiente da casa era diferente, havia uma enorme paz. Hoje esse homem e sua esposa frequentam frupos de oração e continuam no caminho do Senhor.
Dessa fantástica e terrível experiência tirei a lição de que a teoria pode ser ótima, mas não se compara a viver na prática o que se estuda. Aquele demônio realmente tinha um propósito divino de se manifestar, afinal através daquele evento 5 pessoas aceitaram a Jesus. Percebi que o Senhor realmente havia permitido tudo aquilo com um propósito. E percebi que seu eu, ou o Mineiro, estivéssemos despreparados, aquela noite seria um desastre ao invés de uma benção. Portanto estude, conheça a teoria, mas esteja preparado para viver um cristianismo na prática.
Ps. Umas irmãs assembleianas estiveram na casa do possesso um pouco antes de nós e jogaram alho e sal no homem, tentando retirar o demônio. Vocês acreditam em tamanho despreparo?
Postado em quarta-feira, julho 30th, 2008 at 10:57 am e salvo na categoria Estudos. Você pode obter quaisquer respostas do post através de RSS 2.0 RSS. Você pode deixar um comentário, ou rastreá-lo a partir do seu site.

julho 30th, 2008 em 6:01 pm
Nossa ,alho e sal , o que elas queriam temperar o diabo ? he,he
René,já passei por essas situações ,e graças a Deus sempre tive final feliz ,tenho uma amiga que ficava possessa ,mas hoje ela serve a Deus ,juntos vieram seu marido ,sua mãe(que faleceu 2 meses depois de ser batizada) ,sua sogra .É assim que Deus age.
julho 30th, 2008 em 9:40 pm
Que coincidência, hoje na aula de estudo bíblico acabou com cada um contando suas histórias envolvendo demônios e possuídos.Eta dia macabro, tô ficando com medo, René…
Ainda bem que foi uma história feliz
“Temperar o diabo”, hahaha!
julho 31st, 2008 em 12:00 pm
hahahaha. Muito bom, ontem pregando fiz menção à este episódio também, foi bem marcante.
Bora para o Campanário na sexta??
julho 31st, 2008 em 6:48 pm
Oi, René, tudo bem?
Acabo de te mandar um e-mail sobre uma entrevista. Por favor dê uma olhada.
Abraço,
Reinaldo.
agosto 2nd, 2008 em 1:16 am
René,
Através do blogblogs conheci o seu blog e tenho passado por aqui algumas vezes.
Esse post foi simplesmente incrível! A leitura foi muito gratificante.
Então, tomei a liberdade de colocar um link para o seu blog na sidebar do meu blog. Espero que não se importe…
Abraços,
Nani
agosto 3rd, 2008 em 10:49 pm
Expulsar demônio, só através do poder da oração, em nome de Jesus, como os irmãos fizeram.
Quanto à irmãs que jogaram alho e sal, que busquem conhecimento na Palavra e melhor ainda…….que entendam o sentido do serviço cristão, que dever ser feito com oração e poder.
Graça e paz.
Helena
outubro 15th, 2008 em 11:16 am
quanta baboseira de gente ignorante, que mal sabem que o realmente existe e ta por ai.
novembro 11th, 2008 em 3:06 am
Querido dono do exclênte blog.
Achei incrível também você usar a palavra ceticismo de sua parte em relação a possesão.
Sem dúvidas necessita de mais prática de vida cristã. Manifestações demôniacas são ou deveriam ser comum no ambiente cristão em que vive. Pois o filho de Deus se manifestou para destruir as obras do diabo. E nos deu autoridade para pisarmos serpentes e escorpíões.
O que me chama atenção não são as irmãs do alho e sal, mas você como homem de Deus ter tão pequena experiência em expulsar demônios, libertação.